Ele já foi o carro mais popular do país. Hoje, é objeto de desejo, investimento e culto. O Volkswagen Fusca, símbolo da indústria automobilística do século XX, atravessa o tempo com força renovada. No Brasil, a paixão pelo modelo não apenas resiste — ela cresce, se organiza em clubes, movimenta bilhões e acelera novamente nas pistas.
De acordo com estudo da Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA), o mercado brasileiro de carros antigos movimentou cerca de R$ 32,6 bilhões em 2019, sendo R$ 12,3 bilhões referentes à compra e venda de veículos clássicos. O Fusca lidera esse segmento como o modelo mais restaurado e negociado no país. Em um exemplo recente, um raro exemplar de 1952, com o tradicional vigia traseiro dividido (“Split Window”), foi avaliado em mais de R$ 1 milhão.
A relação dos brasileiros com o Fusca, no entanto, é bem mais profunda que números. Ela é afetiva. O carro remete à infância, a viagens em família, ao primeiro carro. É uma cápsula do tempo com rodas. Essa dimensão sentimental é um dos principais combustíveis por trás dos clubes de entusiastas, como o Fusca Clube do Brasil, criado em 1985. Hoje, há centenas de grupos espalhados pelo país que promovem encontros, exposições, caravanas e uma rica troca de experiências.
Além de seu valor histórico e emocional, o Fusca também impulsiona uma cadeia produtiva expressiva. Oficinas especializadas, fabricantes de peças originais, fornecedores de serviços de restauração, editoras, youtubers e roteiros turísticos compõem um ecossistema aquecido — e cada vez mais valorizado.
O carro também voltou às pistas. Competições amadoras com categorias dedicadas exclusivamente ao Fusca vêm ganhando força nos últimos anos. Restaurados, adaptados e turbinados, os modelos agora fazem parte da Fórmula Fusca Brasil, campeonato que retorna em 2025 como evento preliminar da Fórmula Truck. A primeira prova está marcada para o mês de maio e promete reunir emoção, nostalgia e velocidade.

Para os colecionadores, restaurar um Fusca vai além da estética. É um exercício de preservação histórica. Cada detalhe importa — do retrovisor ao tecido dos bancos. Enquanto alguns buscam a fidelidade ao modelo de fábrica, outros investem em adaptações modernas, como versões elétricas que mantêm o charme clássico com tecnologia atual.
A força cultural do Fusca também se revela na arte, na música e na literatura. Presente em capas de discos, poemas e até filmes, ele se consolidou como ícone de gerações — e não apenas de motoristas. Para muitos, é mais que um carro: é uma extensão da própria identidade.
Na próxima etapa dessa jornada editorial, traremos histórias de donos de Fuscas raros, restaurações transformadoras e os bastidores emocionantes da nova geração de pilotos que aceleram esses clássicos em alta velocidade. Afinal, o Fusca pode ter saído da linha de produção, mas nunca saiu da estrada.
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