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Rachel Loh: a engenheira que acelera a representatividade no automobilismo

Conheça a trajetória desta engenheira que se destaca em um esporte masculino

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Rachel Loh: a engenheira que acelera a representatividade no automobilismo
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O esporte a motor vai muito além da velocidade, das ultrapassagens e dos troféus. Ele é feito de pessoas, histórias, decisões tomadas em frações de segundo e paixões que movem equipes inteiras dentro e fora das pistas. Pensando nisso, o Portal Motor em Ação lança uma série especial de entrevistas com personagens que são protagonistas desse universo — profissionais que constroem o automobilismo todos os dias, nos bastidores e na linha de frente das competições.

Pilotos, engenheiros, dirigentes, preparadores, empresários e comunicadores fazem parte dessa jornada. Cada entrevista traz não apenas trajetórias e conquistas, mas também desafios, visões de futuro, aprendizados e o olhar de quem vive intensamente o esporte a motor brasileiro e internacional.

Nesta série, o Motor em Ação reforça seu compromisso de valorizar quem faz o esporte acontecer, ampliando o debate, inspirando novas gerações e aproximando o público das histórias reais que impulsionam o mundo dos motores. Mais do que entrevistas, são conversas que revelam o lado humano, técnico e apaixonante de um dos esportes mais vibrantes do planeta.

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No coração da principal categoria do automobilismo brasileiro, a Stock Car Pro Series, uma mulher tem se destacado por técnica, determinação e pioneirismo: Rachel Loh. Engenheira de competição da Amattheis Motorsport, ela é reconhecida como a primeira e, por muitos anos, a única mulher responsável diretamente pela engenharia de um carro na Stock Car, um ambiente historicamente dominado por homens.

Carioca com formação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Rachel entrou no universo das corridas ainda nos bancos da universidade, quando participou do Projeto Baja — uma equipe estudantil que constrói veículos off-road para competições acadêmicas — sendo a primeira mulher integrante e capitã desse time.

Sua trajetória profissional na Stock Car começou em 2005 como engenheira de dados, trabalhando com sensores e análise de desempenho, e evoluiu ao longo dos anos até que, em 2016, foi convidada por Andreas Mattheis para assumir o cargo de engenheira de pista na Ipiranga Racing Team, onde lidera o trabalho técnico com os carros da equipe e acompanha passo a passo o desenvolvimento ao longo de cada temporada.

Além de sua atuação nas corridas, Rachel coleciona experiências internacionais: foi comissária técnica da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e integrou a equipe técnica do GP de São Paulo de Fórmula 1, além de ser a primeira brasileira a atuar como comissária no Grande Prêmio de Singapura, por meio de uma iniciativa da FIA para ampliar a participação feminina no automobilismo global. E também é voluntária da FIA como Comissária Técnica na F1 no brasil desde 2010, além de integrar comissões técnicas na Fórmula E e WEC.

Mas o papel de Rachel vai além dos circuitos. Ela é uma das vozes mais ativas na promoção da inclusão feminina no esporte a motor, colaborando com programas como FIA Girls on Track Brasil e iniciativas que aproximam estudantes — especialmente mulheres — dos bastidores da engenharia de competição. Muitas vezes foi a única mulher na engenharia da Stock Car, o que evidencia a baixa representatividade feminina no automobilismo técnico.

Rachel Loh é um exemplo pioneiro de mulher quebrando barreiras no automobilismo brasileiro, tanto tecnicamente quanto como mentora e líder em iniciativas de inclusão. Sua trajetória combina técnica, estratégia e superação em um dos ambientes mais competitivos e masculinos do esporte a motor — e suas experiências servem como inspiração para futuras gerações.

Em uma categoria onde ainda é rara a presença de mulheres em cargos técnicos, sua trajetória é exemplo de superação e inspiração. Rachel combina competência técnica, liderança estratégica e um compromisso firme com a representatividade, mostrando que, no automobilismo, o talento cruza qualquer linha de chegada.

Conheça mais um pouco a Rachel Loh na entrevista abaixo.

Motor em Ação - Como surgiu seu interesse por carros e corridas?

Rachel Loh - Na universidade quando conheci o projeto Baja, entrei na engenharia e me frustrei, tirei um ano sabático e quando voltei fui apresentada ao projeto de extensão Baja SAE, virei piloto de teste da equipe porque eu era a mais leve (20kg a menos q o homem mais leve da equipe), simplesmente me apaixonei pelo mundo da competição.

 

MA - O que te motivou a escolher engenharia mecânica e, mais especificamente, trabalhar no automobilismo?

RL - Foi tudo meio ao acaso, como a maioria dos adolescente aos 17 anos eu não sabia o que queria fazer da vida, 1997 não tínhamos tanto acesso a informação, experiências etc. Meu pai era engenheiro e defendia a engenharia como uma carreira que abria muitas portas para diversas áreas e carreiras, eu era boa em matemática comprei a ideia e fiz vestibular para diversas engenharias, cada universidade coloquei uma especialização diferente, acabei passando pra mecânica e lá fui eu, na cara e na coragem descobrir que era um meio extremamente masculino e machista em particular a mecânica. Quando conheci os projetos de extensão e o mundo do automobilismo tudo fez sentido, mergulhei de cabeça e falei desde o 1º semestre na universidade que não gostaria de trabalhar com nada além de automobilismo.

 

MA - Como foi sua jornada até se tornar a primeira mulher engenheira de pista na Stock Car?

RL - Na equipe de Baja da uff já tinha uma pessoa que trabalhava com automobilismo, o nome dele é Robert Sattler; ele fundou a equipe e já trabalhava no automobilismo na F3, Fórmula Chevrolet e estava na Stock Car. Ele estava se formando e ia morar fora do Brasil pois sonhava em trabalhar na F1 (e conseguiu). Ele que me indicou para equipe Toyota de F1 como assistente local no GP do Brasil (meu primeiro contato com automobilismo profissional), e em 2005 quando foi liberado aquisição de dados na Stock Car muitas equipes procuraram ele, mas ele estava de saída e me recomendou. Lembro até hoje ele me perguntando, eu no ciclo básico de engenharia, 1 ano de Baja universitário, ou seja zero experiência, ele me pergunta se eu queria fazer entrevista pra ser engenheira de dados na Stock Car, topei na hora. Fui lá novamente na cara e na coragem prometendo dedicação, empenho e aprendizado rápido para o piloto e dono de equipe Duda Pamplona. Não sei como ele me contratou, imagina em 2005 uma estudante mulher na maior categoria do automobilismo brasileiro. Deu certo e lá fiquei por 10 anos com a família Pamplona até migrar para família Amattheis. Fui engenheira de dados na Officer para o GP, e quando o Andreas Mattheis me contratou, viu potencial e me promoveu a engenheira de pista. Na minha 1ª corrida com a Amattheis fizemos pole e dobradinha, foi inesquecível. Andreas pediu para eu subir no pódio e depois me deu o troféu da equipe de presente.

 

MA - Quais são os principais desafios que você enfrenta como mulher em um ambiente majoritariamente masculino?

RL - Acho que desde o início, por eu ser mulher, jovem, com pouca experiência, saber me posicionar sempre foi meu maior desafio, deixar claro os motivos pelo qual eu estava ali e que levava meu trabalho muito a sério e priorizava conduta profissional e respeitosa com todos a meu redor. É uma jornada solitária... Mas era meu sonho então sempre lidei com tudo de forma leve e objetiva

 

MA - Como você equilibra as demandas intensas de uma temporada de Stock Car com sua vida pessoal (por exemplo, maternidade)?

RL - Hoje em dia o desafio é gigante, vida pessoal e familiar mais Stock Car, Copa Truck e Comissão Feminina de Automobilismo, parece uma equação impossível, mas com vontade, determinação e muita paixão damos um jeito com muito planejamento e disciplina envolvidos, e hoje em dia a tecnologia ajuda muito.


MA - Qual foi o momento mais difícil da sua carreira — e como você lidou com ele?

RL - Um dos maiores desafios foi a decisão de conciliar a maternidade: planejar a gravidez e lidar com os primeiros anos, e a insegurança que dava pensar nesses momentos de ter que se ausentar e fazer uma pausa, e depois dar conta de tudo é bem assustador, mas tudo dá certo no final.

 

MA - Quais são as maiores responsabilidades de uma engenheira de pista durante uma etapa da Stock Car?

RL - Durante a etapa as maiores responsabilidades são as decisões do setup do carro e o plano de ação, o que testar e a que momento, decisão de estratégia de corrida, etc.

 

MA - Como você prepara a equipe e o carro para diferentes circuitos e condições climáticas ao longo da temporada?

RL - Estudamos resultados anteriores, estatísticas, relatórios do que já testamos, o que foi bom e ruim e adaptamos para aquele momento climático que estamos revisitando o autódromo, ir em Interlagos em março é potencialmente bem diferente de ir em dezembro, mas já chegamos com os planos de receitas para cada condição climática.

 

MA - Você diria que há diferenças na forma como homens e mulheres abordam questões estratégicas na pista? Por quê?

RL - Tenho poucas amostras para falar sobre isso, engenheira de pista conheço muito poucas no brasil, mas eu diria que pessoas no geral são diferentes então é muito mais do perfil do que do gênero. O que escuto constantemente de pessoas das equipes principalmente os chefes de equipes, é que as mulheres tem dons multidisciplinares mais acentuados e conseguem lidar com diversos assuntos ao mesmo tempo ao contrário da maioria dos homens.

 

MA - Você já viu mudanças na inclusão de mulheres no automobilismo desde que começou sua carreira? O que ainda precisa melhorar?

RL - Sim, desde que os projetos de engajamento feminino em 2022 começaram a acontecer vi muita coisa mudar, coisas que nem achei que presenciaria nessa vida, e muito feliz de fazer parte dessa mudança. Ainda há um caminho muito longo pela frente, o automobilismo ainda é extremamente masculino e machista, mas pelo menos hoje em dia existem caminhos e portas abertas para a entrada de mais mulheres.

 

MA - Que conselho você daria para jovens mulheres que sonham em trabalhar com engenharia ou mecânica no automobilismo

RL - Se é seu sonho de verdade, corra atrás, se informe, se capacite e tenha consciência do que realmente significa viver de automobilismo, que tenham a coragem de enfrentar a resistência que a sociedade ainda impõe e decidam por si mesmas o caminho que querem seguir. Só posso dizer que vale muito a pena trabalhar com o que você ama, paixão é fundamenta para trabalhar com automobilismo.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Motor
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