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Quanto mais cavalos, mais rápido o carro?

Especialista em performance automotiva explica por que potência, sozinha, não determina o desempenho e alerta para a importância de incluir tração, suspensão e freios no planejamento de uma preparação

Motor em Ação
Por Motor em Ação
Quanto mais cavalos, mais rápido o carro?
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Para muitos apaixonados por carros, a lógica parece simples: quanto maior a potência do motor, mais rápido será o veículo. Na prática, porém, a quantidade de cavalos não determina, sozinha, o desempenho de um carro. Para que o aumento de potência seja efetivamente aproveitado, é preciso conseguir transmitir essa força ao solo - e é justamente aí que outros componentes do projeto passam a ter papel fundamental.

Quem explica é José Francisco dos Santos Junior, o Juninho Racetech, especialista em performance automotiva, preparação de motores e drag racing. Segundo ele, à medida que a potência aumenta, também cresce a possibilidade de destracionamento, situação em que os pneus perdem aderência e patinam, dificultando o aproveitamento da força gerada pelo motor. “Um carro com muita potência e pouca tração tende a ser mais lento do que um carro com menos potência e um maior aproveitamento da tração. Sem dúvida, um dos maiores mitos é acreditar que um carro com muita potência sempre será mais rápido”, explica.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas é a diferença entre potência e torque. Juninho Racetech explica que, em uma preparação, os dois normalmente caminham juntos, já que o ganho de potência tende a vir acompanhado de aumento do torque. Para explicar a percepção do motorista, ele compara o torque à sensação provocada por uma montanha-russa. “O torque é aquela sensação de algo te empurrando. A montanha-russa provoca essa sensação não simplesmente porque tem velocidade, mas porque atinge essa velocidade rapidamente”, afirma. Por isso, pensar apenas nos números de potência pode não ser suficiente para construir um carro que entregue o desempenho e a experiência esperados.

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O especialista explica ainda que, um dos principais cuidados ao aumentar a potência está em não concentrar todo o investimento no motor. Suspensão, rodas, pneus e freios também precisam ser considerados, tanto para aproveitar melhor o ganho obtido quanto por uma questão de segurança. “É primordial, quando se prepara um motor, pensar em melhorar a suspensão, rodas e pneus para transferir essa potência e também para segurança. E, com certeza, os freios, pois tudo tem que ser calculado para suportar essas mudanças”, ressalta.

Em uma proporção aproximada utilizada pelo especialista como referência para os projetos, cerca de 60% do investimento pode ficar concentrado na preparação do motor, 20% na suspensão e outros 20% nos freios. Ele alerta, entretanto, que já acompanhou projetos em que praticamente todo o orçamento disponível foi destinado ao motor, deixando componentes igualmente importantes em segundo plano.

Até onde é possível aumentar a potência?

Em uma preparação que classifica como mais básica, destinada a um carro que continuará sendo utilizado normalmente, Juninho Racetech cita como referência um aumento de até 100% da potência: um veículo de 100 hp, por exemplo, poderia chegar aos 200 hp sem grandes alterações, segundo sua experiência.

O aumento, entretanto, precisa ser acompanhado pelo restante do conjunto. O especialista destaca especialmente a suspensão, que tem impacto direto tanto no aproveitamento da potência quanto na dirigibilidade. Quando o ganho chega próximo ao patamar citado, é necessário avaliar se o sistema está adequado à nova configuração do veículo.

Outro erro observado é elevar significativamente a potência sem substituir componentes internos do motor necessários para suportar o novo nível de exigência. Nesse cenário, aumenta a possibilidade de quebra. “Preparar carros é realizar o sonho do cliente e, se não tomarmos certas providências, isso pode se tornar um pesadelo”, alerta.

De 120 whp para 750 whp

Com mais de 20 anos de atuação no segmento, Juninho Racetech afirma que cada preparação tem características próprias, mas alguns projetos se destacaram pela complexidade e pelos resultados alcançados.

Um deles reuniu componentes de três diferentes mercados automotivos: um motor 2JZ, utilizado em modelos de performance da Toyota e trazido dos Estados Unidos, foi instalado em uma BMW e combinado a um câmbio americano. “Unimos em um só carro três dos maiores mercados da performance”, relembra.

Segundo o especialista, a BMW tinha originalmente cerca de 120 whp e chegou a 750 whp após o projeto. Apesar de números como esses chamarem atenção, o Juninho Racetech reforça que potência não deve ser o único objetivo de uma preparação. “Temos que ser muito conscientes e responsáveis pelo que estamos fazendo, porque, se não for bem calculado e principalmente bem executado, pode se tornar algo perigoso. Nunca pense apenas na preparação, mas também na segurança que esse projeto precisa ter”, finaliza.

FONTE/CRÉDITOS: Dam Press Comunicação

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