A realização do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, entre os dias 6 e 8 de novembro, em Interlagos, coloca em evidência um modelo de negócio que vai muito além das pistas: a economia da experiência. Em um cenário no qual o público busca cada vez mais vivências que combinem entretenimento, relacionamento e exclusividade, grandes eventos se consolidam como plataformas capazes de conectar diferentes setores e gerar valor para marcas, empresas e cidades. “A Fórmula 1 é um exemplo de como um evento pode deixar de ser apenas uma competição para se tornar um ecossistema de negócios. O público não vai ao autódromo somente para assistir à corrida, mas para viver uma experiência que envolve hospitalidade, gastronomia, ativações, música, relacionamento e contato com marcas. É essa construção que amplia o valor do evento e cria oportunidades comerciais antes, durante e depois da competição”, afirma Tiago Azevedo, sócio responsável pelas operações da GRPP Ventures.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado pela Prefeitura de São Paulo, o GP de 2025 reuniu 303.627 espectadores e movimentou R$ 2,3 bilhões na economia paulistana, crescimento real de 9,7% em relação ao ano anterior. O evento também gerou 23,7 mil postos de trabalho e R$ 324,4 milhões em tributos. Outro indicador chama a atenção: cada R$ 1 investido na realização do Grande Prêmio retornou R$ 7,14 à economia local. O alcance também ultrapassa os limites da cidade: 75% do público presente veio de fora da capital, incluindo visitantes de outros estados e do exterior.
A dimensão global da modalidade reforça o potencial desse mercado. Em 2025, a Fórmula 1 alcançou uma base de 827 milhões de fãs em todo o mundo, segundo dados oficiais da categoria, com 43% desse público abaixo dos 35 anos e 42% formado por mulheres. Já no primeiro semestre de 2026, a competição registrou mais de 3,7 milhões de espectadores presenciais em seus finais de semana de corrida, crescimento de 6% em relação aos mesmos eventos do ano anterior. Os números demonstram como o esporte vem ampliando sua audiência e atraindo novos perfis de consumidores, criando oportunidades para marcas que desejam estabelecer conexões com diferentes gerações.
“Quando existe uma audiência engajada e uma experiência bem construída, o evento passa a oferecer muito mais do que exposição de marca. Ele cria oportunidades de interação, experimentação e relacionamento, fazendo com que o consumidor participe da narrativa da empresa. Para as marcas, isso significa sair da comunicação unilateral e ocupar um espaço na memória e na vivência das pessoas”, complementa Azevedo.
Esse movimento também transforma a hospitalidade em uma frente estratégica de negócios. Espaços exclusivos, experiências personalizadas, encontros corporativos e ambientes de relacionamento permitem que empresas se aproximem de clientes, parceiros e potenciais consumidores em contextos de maior envolvimento. Na Fórmula 1, essa lógica aparece na diversidade de experiências oferecidas ao público, desde os setores de arquibancada até os espaços premium, que agregam serviços, conforto e oportunidades de networking. O valor, portanto, não está apenas no acesso ao evento, mas na qualidade da jornada oferecida a cada perfil de participante.
Para o mercado de entretenimento e eventos, a principal lição está na capacidade de integrar diferentes elementos em uma mesma plataforma. Atrações, gastronomia, tecnologia, ativações, patrocínios e experiências exclusivas precisam funcionar de maneira conectada, com propostas que façam sentido para o público e para os objetivos comerciais das marcas. “O futuro dos grandes eventos está na capacidade de criar experiências relevantes, que tenham identidade e entreguem valor para todos os envolvidos. Não basta reunir pessoas em um mesmo espaço: é preciso entender o comportamento da audiência, construir momentos de conexão e transformar essa interação em relacionamento duradouro. É assim que o entretenimento deixa de ser apenas consumo e passa a ser também uma estratégia de negócio”, conclui o executivo.
Sobre a GRPP
Fundada em 2016, a GRPP é uma holding de entretenimento que reúne negócios de produção de eventos, ativações de marcas, gerenciamento artístico, espaços para eventos e produção audiovisual. Com mais de 130 produções próprias por ano, a companhia já impactou mais de 1 milhão de pessoas e atende marcas como BMW, Ambev, Red Bull e Jack Daniel’s. Seu modelo combina a criação de produtos para diferentes etapas da jornada de consumo do público com a verticalização de atividades da cadeia do entretenimento.
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