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Quarta-feira, 29 de Julho 2026
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BMW planeja cortar 8 mil vagas na Alemanha até 2027

Pressionada por queda de rentabilidade e demanda, montadora alemã lança programa de desligamento voluntário e espera que 5% da sua força de 154 mil funcionários deixe a empresa

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Por Motor em Ação
BMW planeja cortar 8 mil vagas na Alemanha até 2027
A BMW reduziu em junho sua previsão de lucro para este ano após resultados abaixo do esperado na China/Foto: MiS/IMAGO
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BMW pretende reduzir em cerca de 8 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2027 por meio de um programa de desligamento voluntário, anunciou a empresa nesta quarta-feira (29). A medida reforça o movimento de ajuste em curso na indústria automobilística alemã, pressionada pela queda da rentabilidade, pela desaceleração da demanda e pela crescente concorrência de fabricantes chineses. 

Até recentemente considerada uma das montadoras mais resistentes às turbulências do setor, a BMW também passou a sentir os efeitos desse cenário.

O programa, negociado entre a direção da empresa e o conselho de trabalhadores, terá como foco as áreas administrativa e de desenvolvimento. Os funcionários das linhas de produção não serão afetados.

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Segundo uma fonte ouvida pela agência AFP, cerca de 40 mil dos aproximadamente 85 mil empregados permanentes da BMW na Alemanha poderão receber ofertas de adesão ao plano a partir de outubro. A expectativa é que cerca de 20% desse grupo deixe a empresa até o fim de 2027.

A montadora sediada em Munique emprega cerca de 154 mil pessoas em todo o mundo. A extinção de 8 mil postos deve atingir 5% da força de trabalho total da empresa. As negociações do programa duraram aproximadamente seis semanas.

Fábrica da BMWFábrica da BMW
A montadora busca cortar custos e enfrentar a queda das vendas na China.Foto: Iuliia Dombrovskaia/Zoonar/IMAGO

Setor enfrenta pressão crescente

A reestruturação ocorre em meio à pressão sobre as montadoras alemãs, que enfrentam os custos da transição para veículos elétricos, as tarifas impostas pelos Estados Unidos e a concorrência acirrada da China.

Volkswagen e Mercedes-Benz também adotaram medidas para reduzir despesas. A Volkswagen avalia eliminar até 100 mil postos de trabalho em suas dez marcas, enquanto a Mercedes mantém um programa de desligamentos voluntários. Na segunda-feira, a Porsche, controlada pela Volkswagen, ampliou seu plano de reestruturação e anunciou a meta de reduzir cerca de 20% de sua força de trabalho até 2035.

Também nesta quarta-feira, milhares de trabalhadores protestaram na fábrica da Audi em Neckarsulm. A unidade é uma das quatro instalações na Alemanha ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da Volkswagen.

Marca do grupo AudiMarca do grupo Audi
Unidade da Audi está entre as instalações afetadas pelos planos de reestruturação do grupo Volkswagen e enfrenta protestosFoto: Bernd Weißbrod/dpa/picture alliance

China pesa sobre resultados da BMW

A BMW reduziu em junho sua previsão de lucro para este ano após resultados abaixo do esperado na China. A empresa atribuiu o desempenho à concorrência intensa e à desaceleração da economia chinesa.

As entregas de veículos da marca na China atingiram em 2025 o menor nível desde 2017 e recuaram mais 30% entre abril e junho deste ano na comparação anual.

Segundo Horst Ott, dirigente regional do sindicato IG Metall e integrante do conselho de supervisão da BMW, a montadora busca responder à retração do mercado chinês ao mesmo tempo em que tenta reforçar a competitividade de suas operações alemãs. Ele ressaltou que os direitos garantidos pelos acordos coletivos serão preservados e que parte da redução ocorrerá por meio da rotatividade natural de funcionários.

Após revisar suas projeções financeiras, a BMW informou que pretende acelerar os esforços de redução de custos.

As medidas de reestruturação terão impacto financeiro no segundo semestre de 2026. Em contrapartida, a empresa espera obter uma redução significativa de despesas a partir de 2028.

Em reunião com funcionários nesta quarta-feira, o presidente da companhia, Milan Nedeljkovic, afirmou que a indústria automobilística atravessa uma mudança estrutural. Segundo relatos de participantes do encontro, ele atribuiu parte da pressão às regulamentações europeias voltadas à eletrificação da frota e ao aumento das barreiras comerciais em diferentes mercados.

Crise industrial e busca por competitividade

Segundo a consultoria EY, empresas industriais alemãs eliminaram 124 mil empregos no ano passado, cerca do dobro do registrado no ano anterior, com o setor automotivo concentrando grande parte das perdas.

Enquanto busca reduzir custos na Alemanha, a BMW inaugurou no ano passado uma nova fábrica na Hungria. A Mercedes-Benz também ampliou neste mês sua unidade de Kecskemét, transformando-a em sua maior fábrica na Europa.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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