Com o aumento da procura por veículos seminovos e usados no Brasil, muitos motoristas acabam se deparando com uma manutenção inevitável logo após a compra: a troca dos pneus. O que nem todos sabem é que instalar pneus novos sem avaliar as condições gerais do veículo pode comprometer a segurança, reduzir a vida útil dos componentes e gerar gastos desnecessários.
Segundo o João Gonsales, vice-presidente e diretor comercial da marca brasileira de pneus, a substituição dos pneus em veículos que já rodaram mais de 30 mil ou 40 mil quilômetros deve ser encarada como uma oportunidade para realizar uma avaliação completa do conjunto.
"Em muitos casos, o pneu que está sendo retirado já apresenta sinais claros de problemas mecânicos. Se a causa não for corrigida, o pneu novo sofrerá o mesmo desgaste prematuramente", explica.
Para ajudar os consumidores a fazer uma escolha mais segura e proteger o investimento, a Bransales reuniu as principais dúvidas sobre a troca de pneus em veículos usados.
O que o pneu antigo pode revelar sobre o carro?
Muito mais do que indicar a necessidade de troca, o pneu usado funciona como uma espécie de diagnóstico da condição do veículo.
Desgaste excessivo nas bordas pode indicar problemas de alinhamento ou calibragem inadequada. Já o desgaste concentrado no centro da banda de rodagem costuma estar relacionado ao excesso de pressão. Marcas em forma de ondas ou escamas podem sinalizar falhas em amortecedores, buchas, pivôs ou outros componentes da suspensão.
"A banda de rodagem conta a história do veículo. Muitas vezes ela revela problemas que o motorista ainda não percebeu durante a condução", afirma o João Gonsales.
Um pneu novo compensa uma suspensão desgastada?
Embora os pneus modernos sejam desenvolvidos com compostos e desenhos que favorecem a estabilidade e o desgaste uniforme, eles não conseguem compensar falhas mecânicas. Amortecedores desgastados, por exemplo, reduzem o contato adequado do pneu com o solo, provocando impactos repetitivos que aceleram o desgaste irregular.
A tecnologia do pneu ajuda na performance, mas sua durabilidade depende diretamente das condições da suspensão, do alinhamento, do balanceamento e da calibragem correta.
Como saber se o pneu instalado pelo antigo proprietário está correto?
Ao adquirir um carro usado, é comum encontrar pneus que não seguem as especificações originais do fabricante.
Por isso, a orientação é consultar o manual do veículo e verificar as informações disponíveis na etiqueta de pressão e medidas, normalmente localizada na coluna da porta ou na tampa do combustível. Já o índice de velocidade indica a capacidade máxima de rodagem prevista pelo fabricante.
O índice de carga indica o peso total suportado pelo pneu. Já o índice de velocidade informa a capacidade máxima para a qual ele foi projetado. Utilizar pneus abaixo das especificações recomendadas pode comprometer estabilidade, frenagem, dirigibilidade e segurança.
O estepe nunca usado pode ser considerado novo?
Mesmo sem rodar, os pneus envelhecem com o tempo. A exposição ao calor, às variações de temperatura e ao próprio processo natural de envelhecimento da borracha pode reduzir suas propriedades estruturais.
Um pneu pode ter sulcos praticamente intactos e ainda assim não estar em condições ideais de uso. A idade da borracha também deve ser considerada, por isso, a recomendação é verificar sempre a data de fabricação por meio do código DOT e avaliar se o estepe apresenta condições compatíveis com os demais pneus do veículo.
Uma roda empenada pode comprometer o pneu novo?
Pequenos danos causados por buracos e impactos podem deformar a roda sem que o problema seja facilmente percebido. Quando isso acontece, o pneu pode não se acomodar corretamente, gerando vibrações, desgaste irregular e até perda de vedação.
O balanceamento corrige a distribuição de massa do conjunto, mas não elimina deformações estruturais da roda. Por isso, antes da montagem, é recomendável inspecionar a presença de amassados, trincas, oxidação e outras deformações.
É necessário trocar válvulas e verificar sensores de pressão?
As válvulas, popularmente conhecidas como bicos, também sofrem desgaste com o tempo e podem causar perda gradual de pressão. Nos veículos equipados com sistema de monitoramento da pressão dos pneus (TPMS), os cuidados devem ser ainda maiores.
A desmontagem e a montagem precisam ser realizadas com ferramentas adequadas para evitar danos aos sensores eletrônicos e garantir o funcionamento correto do sistema.
Tecnologia pode ajudar na escolha do pneu correto?
Segundo a João Gonsales, sim.
A plataforma digital da fabricante permite consultar informações técnicas como medidas, índices de carga e velocidade, aplicações recomendadas e características construtivas dos pneus.
Além disso, a ferramenta oferece visualização 360° dos produtos, facilitando a análise do desenho da banda de rodagem e reduzindo o risco de escolhas inadequadas.
Checklist para quem vai trocar os pneus de um carro usado
- Antes da instalação dos pneus novos, a Bransales recomenda verificar:
- Alinhamento e balanceamento;
- Calibragem correta;
- Estado das rodas;
- Válvulas e sensores TPMS;
- Suspensão e direção;
- Rodízio periódico;
- Profundidade dos sulcos;
- Data de fabricação dos pneus;
- Especificações originais do veículo.
O pneu é o único ponto de contato entre o veículo e o solo. Em um carro usado, escolher o pneu correto e garantir que todo o conjunto esteja em boas condições é uma decisão diretamente ligada à segurança", conclui o especialista da Bransales.
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