O consórcio deixou de ser apenas uma alternativa de compra planejada e passou a ocupar um espaço relevante no mercado brasileiro de motocicletas. Dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (ABAC) mostram que a modalidade movimentou R$ 9,64 bilhões em créditos para motos em 2025, praticamente o dobro dos R$ 5,03 bilhões registrados em 2021.
A força do segmento também aparece na relação entre consórcio e vendas efetivas de motocicletas. Entre janeiro e maio de 2026, as contemplações disponibilizaram R$ 6,13 bilhões em créditos, com potencial de aquisição de mais de 287 mil motocicletas. Considerando as 980.095 unidades comercializadas no mercado interno no mesmo período, o volume equivale potencialmente a 29,4% das vendas, ou seja, aproximadamente uma em cada três motos.
O movimento ocorre paralelamente à forte expansão do mercado de duas rodas. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o número de motocicletas licenciadas entre janeiro e maio de 2026 cresceu 15,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A produção nacional também avançou, com alta de 10,1% nos cinco primeiros meses do ano, de acordo com a Abraciclo.
Para uma parcela importante dos brasileiros, a motocicleta representa mobilidade, economia e, em muitos casos, uma ferramenta de trabalho e geração de renda, podendo ser encarada como um investimento em mobilidade e capacidade produtiva. O crescimento do consórcio acompanha essa transformação porque oferece ao consumidor uma forma de planejar a aquisição de um bem que tem impacto direto na sua rotina.
“Isso é reflexo de uma mudança estrutural na forma como o brasileiro enxerga mobilidade e geração de renda. A moto deixou de ser um bem aspiracional e passou a ser uma ferramenta econômica, especialmente em um cenário de crédito mais restrito”, revela Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios.
O avanço da modalidade também pode ser observado na quantidade de brasileiros que participam de grupos de consórcio. Em 2026, o segmento chegou a 3,25 milhões de participantes ativos, alta de 4,8% em relação ao período anterior. Já entre janeiro e maio, a comercialização de novas cotas cresceu 8%, enquanto os negócios relacionados ao consórcio de motocicletas avançaram 12,2% na comparação anual.
Entre os fatores que podem influenciar essa decisão estão o custo total de aquisição, manutenção, consumo de combustível e as condições disponíveis nas diferentes modalidades de pagamento.
Nesse ambiente, o consórcio ganha espaço por permitir que o consumidor se organize financeiramente para a aquisição e tenha acesso ao crédito após a contemplação. “A motocicleta ocupa hoje um espaço estratégico na economia brasileira. Ela conecta o trabalhador à renda, o produtor ao cliente e o cidadão à cidade. Embora custos como ICMS, IPVA, DPVAT e outras taxas de licenciamento sejam inevitáveis, o consórcio permite uma compra sem taxas de juros ou parcelas exorbitantes, permitindo que o consumidor conquiste o bem de forma gradual sem comprometer o seu orçamento”, conclui Lamounier.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se