A operadora portuária Santos Brasil comprou 35 caminhões a gás natural comprimido da Scania, que serão operados nos Tecon Santos, um dos maiores e mais eficientes terminais de contêineres da América do Sul, localizado no Porto de Santos, em São Paulo.
A entrega das primeiras unidades aconteceu em janeiro, quando o Tecon Santos tornou-se o primeiro terminal portuário do Brasil a adotar caminhões movidos a GNC em suas operações. Trata-se também da primeira vez que a Scania fornece este modelo de veículo para transporte de contêineres dentro de um terminal portuário no mundo.
A compra dos 35 caminhões resulta de um investimento de R$ 40 milhões na atualização da frota, que está substituindo gradualmente os modelos mais antigos. Comparado aos caminhões movidos a diesel atualmente em operação no Tecon Santos, a previsão é de que os novos veículos reduzam as emissões de CO₂ em até 20%.
No momento, além dos 35 caminhões movidos a GNC, o terminal opera com outros 140 caminhões a diesel, que serão substituídos de forma progressiva por opções mais modernas e sustentáveis nos próximos anos.
Todos os 35 caminhões são do modelo P 340 a gás, que recebem motores de 9 litros e 340 cavalos, desenvolvidos especialmente para o uso com o gás natural ou biometano, contando com Ciclo Otto, o mesmo usado em automóveis, que usa velas de ignição, diferente de modelos a diesel.
Com esses motores de 9 litros, o torque é de 1.600 Nm, e os pesados recebem ainda transmissão Scania Opticruise G25CM de 14 marchas, que garante trocas rápidas e eficiente aproveitamento do torque.
O entre-eixos de 3.950 mm acomoda perfeitamente os oito cilindros de gás, enquanto o eixo traseiro R885 assegura uma robusta capacidade máxima de tração (CMT) de até 78 toneladas.
Para aumentar a segurança, todos os veículos contam com freio auxiliar hidráulico Scania Retarder, de 4.700 Nm de capacidade de frenagem. Outro diferencial é a implantação de um sistema eletrônico de coleta de dados resistente a altas temperaturas, que transmite ao motorista as instruções operacionais em tempo real.
O abastecimento da frota será realizado em um posto de gás natural em fase de implantação no próprio terminal.
Essa iniciativa integra o projeto de ampliação e modernização do Tecon Santos, que aumentará sua capacidade anual de movimentação de contêineres dos atuais 2,6 milhões de TEUs para 3 milhões de TEUs até 2026, com investimentos que ultrapassam R$ 2,5 bilhões.
De acordo com Bruno Stupello, diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil, a adoção de caminhões movidos a gás natural – um combustível de transição mais limpo que o diesel – reflete o compromisso da Companhia com a sustentabilidade e eficiência operacional. A iniciativa está alinhada ao Plano de Transição Climática da Santos Brasil, que tem como metas reduzir em 70% as emissões diretas de GEE (escopos 1 e 2) e em 30% as emissões indiretas (escopo 3) até 2040.
No ano passado, a entrada em operação de oito RTGs (guindastes de pátio) elétricos marcou um importante avanço no compromisso ambiental da Santos Brasil. Os novos RTGs, que substituirão todos os modelos a diesel até 2031, evitarão a emissão de mais de 700 toneladas de CO₂ por mês, reduzindo em 97% as emissões desses equipamentos no terminal.
“Temos uma visão de desenvolvimento sustentável de longo prazo, em que o ser humano e o meio ambiente são protagonistas. Nosso objetivo é sermos uma empresa cada vez mais eficiente, inovadora e alinhada às melhores práticas ESG, oferecendo serviços que atendam às expectativas da sociedade, clientes e usuários do porto”, afirma Stupello.
Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Operações Comerciais Brasil, afirma que se trata de uma parceria inédita para o Brasil e para a Scania globalmente com a Santos Brasil no uso de caminhões a gás.
“Será a primeira operação apenas com caminhões a gás em um porto da história do país. E, também não há operação similar utilizando veículos da marca em qualquer outro país. É, sem dúvida, um momento histórico para a diminuição das emissões no transporte portuário e da maturidade das alternativas mais sustentáveis ao diesel”, diz.
“Da mesma forma que a Scania, a Santos Brasil tem a sustentabilidade no centro de suas ações. Essa operação inédita trará inúmeros benefícios para a logística da empresa cumprir metas de descarbonização”, completa Nucci.
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