O eneacampeão mundial de rali, Sébastien Loeb, expressou sua insatisfação com a decisão da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que o desclassificou do Rali Dakar 2025 após uma capotagem na terceira etapa da competição, disputada entre Bisha e Al-Henakiyah, na Arábia Saudita. Segundo a FIA, a gaiola de segurança do Dacia Sandrider, veículo pilotado por Loeb, sofreu danos que comprometiam sua integridade estrutural, tornando inviável a continuidade do piloto na prova.
Loeb, entretanto, discorda da avaliação. Apesar do acidente, ele e seu navegador, Fabian Lurquin, saíram ilesos e completaram a etapa na 46ª posição, com atraso de pouco mais de uma hora em relação ao líder. “A decisão dos comissários é difícil de aceitar. É frustrante e decepcionante, porque, na minha opinião, não se baseia em argumentos sólidos. Claro, a segurança é muito importante, mas a linha traçada aqui não me parece adequada para a nossa disciplina”, afirmou o francês, em tom crítico.
A equipe Dacia apresentou evidências para tentar reverter a decisão, incluindo testes que demonstravam a funcionalidade da estrutura de segurança. No entanto, a FIA manteve sua posição. Loeb reforçou que, visualmente, era evidente que a gaiola não havia perdido sua integridade. “Nossa equipe demonstrou que a gaiola de proteção estava sólida. Inclusive, visualmente é possível ver que a segurança não foi comprometida. Isso torna a decisão ainda mais difícil de aceitar”, explicou.
Essa não foi a primeira exclusão de peso na edição de 2025 do Dakar. No dia anterior, o espanhol Carlos Sainz também foi impedido de continuar na prova devido a danos estruturais em seu veículo após um acidente. Ambos os casos reacenderam o debate sobre os critérios de segurança aplicados pela FIA em uma modalidade conhecida por suas condições extremas e por exigir resistência tanto dos pilotos quanto das máquinas.
Loeb lamentou a interrupção precoce de sua campanha no Dakar 2025. “É frustrante estar de volta a Jedá em vez de estar no carro lutando. Tínhamos muito para disputar, mesmo com o atraso de 1h15min para os líderes. Estávamos prontos para aproveitar as oportunidades que surgissem, mas, infelizmente, as coisas são assim”, comentou.
Com a desclassificação de Loeb, a Dacia agora concentra suas esperanças no piloto qatari Nasser Al-Attiyah, que ocupa a segunda posição na classificação geral, 7 minutos e 17 segundos atrás do líder, o sul-africano Henk Lategan, da Toyota.
A edição de 2025 do Rali Dakar tem se mostrado particularmente desafiadora, com vários pilotos experientes enfrentando dificuldades e abandonos precoces. A organização da prova reforça seu compromisso com a segurança dos participantes, realizando inspeções rigorosas nos veículos após incidentes significativos para garantir que apenas aqueles em condições adequadas continuem na competição.
Loeb, que já havia abandonado o Dakar em 2018 e 2021, segue em busca de sua primeira vitória na emblemática competição de rali. Ele já conquistou o segundo lugar em três edições (2017, 2022 e 2023), além de um terceiro lugar em 2019 e 2024. Apesar do abandono deste ano, o francês reafirmou seu compromisso de continuar perseguindo o sonhado título no Dakar.
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