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Até onde é seguro aumentar a potência de um carro original?

No Brasil, há ainda questões regulatórias e estruturais que precisam ser consideradas

Motor em Ação
Por Motor em Ação
Até onde é seguro aumentar a potência de um carro original?
José Francisco Junior
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Quem deseja aumentar a potência de um carro original em busca de mais desempenho precisa considerar uma série de fatores que vão muito além de simplesmente fazer o motor entregar mais força. Limites mecânicos, condições dos componentes, segurança, custos e até as características das ruas e estradas fazem parte dessa conta.

Em projetos que mantêm os componentes internos originais do motor, costumo trabalhar com uma referência de aumento de potência em torno de 60% sobre o valor divulgado pelo fabricante. Isso não significa, porém, que exista uma margem universal: cada motor e cada projeto precisam ser avaliados individualmente. Quando se avança muito além dessa faixa mantendo peças internas originais, o risco de quebra cresce significativamente, especialmente em componentes como pistões, bielas e junta do cabeçote, que não foram projetados para trabalhar com níveis tão elevados de potência. Em motores preparados com componentes forjados, o cenário e os limites podem ser diferentes. O próprio tipo de motor influencia essa capacidade.

Na minha experiência, motores mais antigos tendem, em alguns casos, a aceitar determinadas preparações com mais margem. Um motor da década de 1990, por exemplo, pode responder de maneira mais confiável a uma preparação turbo do que determinados motores atuais. Isso ocorre porque os projetos modernos buscam cada vez mais eficiência, baixo consumo e redução de ruído, trabalhando com componentes dimensionados para essas características.

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O motor, entretanto, não deve ser o único ponto de atenção. A embreagem original pode não suportar o aumento de potência e, principalmente, de torque, fazendo com que passe a “patinar” e não consiga transferir adequadamente a força do motor para as rodas. Freios, suspensão e pneus também precisam acompanhar a mudança. São cuidados que muitas vezes ficam em segundo plano, mas que considero fundamentais para que o projeto seja seguro.

Outro erro comum acontece antes mesmo da preparação: por uma questão de custos, alguns proprietários deixam de realizar uma revisão prévia do motor. Sem esse diagnóstico, não há como conhecer a real condição das peças internas. Para buscar segurança e durabilidade, o correto é revisar toda a parte mecânica antes das alterações. Caso contrário, o sonho do primeiro carro preparado pode resultar em quebras e em um custo muito maior do que o inicialmente planejado.

No Brasil, há ainda questões regulatórias e estruturais que precisam ser consideradas. Modificações nas características do veículo estão sujeitas a regras e procedimentos de regularização, processo que pode representar uma dificuldade adicional para quem pretende preparar um carro para circular nas ruas. Também não podemos ignorar as condições das vias brasileiras. Buracos e pavimento irregular podem provocar danos, principalmente porque muitos projetos de preparação também envolvem mudanças na suspensão e nas rodas, deixando o veículo com características mais esportivas.

Considerando esse contexto, costumo recomendar uma faixa de ganho pouco acima de 50% para projetos com componentes internos originais, buscando evitar que os riscos cheguem a níveis muito elevados. Novamente, trata-se de uma referência: a condição e as características de cada veículo precisam ser avaliadas.

Para quem deseja mais desempenho sem transformar o veículo em um projeto de pista, minha orientação é pensar na preparação como se o carro tivesse saído de fábrica com aquela nova potência. A ideia é preservar suas características de uso e acrescentar um comportamento mais esportivo ao dirigir. Quando o projeto passa do ponto, o veículo pode deixar de ser prazeroso e confortável para o uso cotidiano.

Nesse processo, o preparador também tem responsabilidade. Grande parte dos clientes não possui conhecimento técnico suficiente para determinar sozinho qual configuração é mais adequada. Cabe ao profissional compreender o objetivo de uso, as condições do veículo e a realidade financeira do proprietário para indicar até onde vale a pena chegar. Por isso, quem deseja preparar um veículo deve procurar um profissional experiente e reconhecido, capaz de desenvolver um projeto adequado à realidade financeira, às características do carro e ao uso que será feito dele. Não existe uma solução única: cada veículo exige uma avaliação própria. Quando falamos em performance, aumentar a potência nunca deveria ser o único objetivo. A segurança de quem dirige e de quem está ao redor precisa vir primeiro.

FONTE/CRÉDITOS: José Francisco dos Santos Junior

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