Aos 17 anos, Adriano Buzaid deixou São Paulo rumo à Inglaterra com um objetivo: chegar à Fórmula 1. Mais de duas décadas depois, o automobilismo continua presente em sua vida, mas foi nos negócios que construiu sua principal trajetória. Aos 38 anos, está à frente da Gohobby Future Technology, empresa fundada em 2010 e que faturou R$200 milhões em 2025. A meta é chegar a R$500 milhões em 2028.
A relação com o empreendedorismo começou ainda nas pistas. Buzaid entrou no kart aos 14 anos e, para ajudar a financiar a carreira, chegou a vender tênis importados. O desempenho nas competições abriu caminho para a Europa. Em 2006, disputou a Fórmula Ford Inglesa; no ano seguinte, avançou para a Fórmula Renault Inglesa. Em 2008, terminou a temporada em terceiro lugar, com cinco vitórias e seis poles, resultado que o levou à Fórmula 3 Inglesa.
O melhor resultado veio em 2010, pela equipe Carlin. Buzaid venceu duas provas, conquistou duas poles e acumulou sete pódios consecutivos, terminando o campeonato em quarto lugar, com 238 pontos. Para avançar na carreira, porém, precisava de novos patrocinadores. “Chegamos a negociar uma vaga para a Fórmula 1, mas o investimento era alto e não conseguimos encontrar apoiadores”, recorda.
De volta ao Brasil, Buzaid transformou um hobby em negócio. Ele já trabalhava com aeromodelos e helicópteros de controle remoto e decidiu apostar no segmento. Investiu R$80 mil do próprio bolso e conseguiu US$1 milhão em financiamento para importar quatro contêineres com cerca de 700 drones.
Tecnologia do campo à robótica
A Gohobby começou com uma estrutura enxuta e faturou cerca de R$300 mil no primeiro ano. A escala veio em 2013, com a parceria com a DJI, fabricante chinesa de drones. A empresa ampliou o portfólio e deixou de atuar apenas no mercado de hobby para atender aplicações profissionais.
O agronegócio foi um dos principais motores dessa transformação. Em 2024, os drones agrícolas respondiam por 54% da receita da Gohobby. No ano seguinte, chegaram a 60%. Além do ganho de eficiência, os equipamentos podem reduzir a exposição de trabalhadores a produtos químicos e operar em áreas onde máquinas maiores enfrentam limitações.
Segundo dados do IMARC Group, o mercado brasileiro de drones movimentou US$733 milhões em 2025 e pode alcançar US$1,7 bilhão em 2034.
“O agronegócio foi um divisor de águas para os drones. Foi quando o equipamento deixou de ser visto apenas como uma ferramenta de imagem e passou a fazer parte da rotina do trabalho no campo. Ainda existe muito espaço para crescimento”, afirma Buzaid.
A estratégia da Gohobby também passou pela diversificação. A companhia entrou no mercado de robôs humanoides e cães-robôs da chinesa Unitree, com aplicações em inspeção, segurança e operações em ambientes de risco. A categoria já representa cerca de 7% da receita e, segundo Buzaid, pode chegar a uma participação de 20% a 30% até 2028.
Na mobilidade aérea, a empresa trouxe ao Brasil o EH216-S, aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical da chinesa EHang. Em 2024, Buzaid participou de um voo experimental em Quadra, no interior de São Paulo, e se tornou o primeiro brasileiro a comandar o modelo no país.
De volta às pistas
O crescimento da empresa não encerrou a relação de Buzaid com o automobilismo. Em 2023, aos 35 anos, ele voltou a disputar uma prova de monoposto, 13 anos depois da última corrida internacional. Na BOSS GP, em Misano, na Itália, pilotou um Dallara GP2/11, conquistou a pole position, terminou a primeira corrida em segundo e venceu a segunda.
Em 2025, voltou a competir no Endurance Brasil e terminou a temporada em terceiro lugar na categoria P1, ao lado de Fernando Gorayeb. Hoje, Buzaid não pretende retomar uma carreira integral nas pistas. A ideia é conciliar algumas provas ao longo do ano com a gestão da Gohobby.
Para os próximos anos, o desafio da Gohobby é ampliar a presença em segmentos e consolidar a companhia como uma plataforma de tecnologias emergentes no mercado brasileiro.
Sobre a Gohobby
Atuando no mercado brasileiro desde 2010, a Gohobby é a maior importadora e distribuidora de drones do Brasil e foi a primeira empresa a trazer e operar um 'carro-voador' no país. A empresa é uma figura proeminente no mercado brasileiro de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), especializada na importação e distribuição de aeronaves, oferecendo soluções inovadoras para uma ampla variedade de setores e necessidades, como negócios, agronegócio, indústria, transporte de passageiros, entre outros. A empresa tem crescido, em média, 100% ao ano desde sua fundação e pretende chegar ao marco de meio bilhão de reais em faturamento anual até 2028, com o melhor time do Brasil. Em 2011, a empresa tornou-se a primeira importadora de drones no Brasil.
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